De férias com o machismo

Nada como assistir uns programas bem bagaceiros de vez em quando, né? Atóron. Eu andava nessa vibe e comecei a ver De férias com o ex – Brasil. Pra quem não sabe, é um “riéliti” no qual vários boys magia e mulheres gatas vão passar férias num lugar paradisíaco onde rola muita festa, álcool, pegação. A cada semana, chega o ex de algum dos participantes pra barulhar ainda mais a casa. Eles também recebem tarefas (normalmente escolher alguém pra algum programa romântico) de um tablet que se manifesta de tempos em tempos.

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Até aí o programa tava “fazendo o requisito”: o lugar onde eles ficam (praia da Pipa) é a coisa mar linda, a casa é ryqueza, as pessoas esfregam saúde na sua cara e só falam abobrinha. Receita perfeita pra agradar os olhos e descansar o cérebro. Só que começaram a rolar uns papos meio tortos que, por mais que eu tentasse ignorar e focar na estética, não deu pra ignorar.

Logo no primeiro episódio, uma participante (Michelle) dança entre os homens numa festa e é criticada por outra menina (Anna Clara), que diz que a atitude causa “um pouco de desconforto”. Por que seria? Não entendemos. Enquanto isso, os caras tão indo com tudo pra cima delas com os xavecos mais toscos – mas elas tão ok com isso.

Quando a Michelle recebe do tablet a tarefa de escolher um boy pra passar a noite na suíte master, ela justifica a escolha dizendo que chamaria um brother só pra dormir. Já deve ter sentido que a mulherada era meio bizola e não quis ser a excluída do grupinho, então tentou fazer a recatada. Ainda assim, foi taxada de diferente e oferecida pelas outras meninas, que disseram que ela deveria ter demorado mais um pouco pra escolher (?), ou ainda ter escolhido uma menina (essa lógica eu não entendi até agora).

A partir daí, assisti o resto da temporada prestando atenção nos comportamentos e atitudes machistas do povo. Fiquei brincando de inverter mentalmente o discurso dos homens e das mulheres, tipo “imagina se fosse uma mulher falando isso”, e vice-versa. O que a gente ia achar de um cara que estivesse mais retraído nas festas, sem dar em cima de ninguém? Ou de um que, na hora de escolher alguém pra suíte master titubeasse, ou viesse com o discurso de chamar uma menina “só pra dormir”? Certamente haveria questionamentos sobre sua “masculinidade”.

Outra coisa curiosa foi a postura dos casais que se formavam: os moços estavam sempre com um olho na namoradinha e outro nas demais moças e deixavam claro que seus brothers podiam pegar quem quisessem, inclusive as minas deles. E elas meio que aceitavam isso, tipo vamo fazer o quê, eles são assim mesmo. Já elas se dedicavam exclusivamente aos seus respectivos boys e crucificavam sem piedade aquelas que dessem em cima deles.

Isso acabou me lembrando um filme muito bom que vi outro dia, chamado Eu não sou um homem fácil. Nele, um machista incurável que só se preocupa em transar com o maior número possível de mulheres bate a cabeça e, quando acorda, está num mundo dominado por elas. Essa comédia mostra de forma leve as diferenças culturais entre os gêneros e as discriminações sofridas.

httpssss://www.youtube.com/watch?v=YGvaR9_HYKs

Nesse mundo matriarcal, as mulheres ocupam cargos de liderança, andam sem camisa na rua, não se depilam e mexem com os caras na rua. Os homens, por sua vez, são o sexo frágil, usam roupas justas e cuidam da casa e dos filhos, enquanto as esposas assistem aos jogos de futebol (feminino, claro).

É incrível como a gente nem se dá conta do quanto reproduz e age de acordo com discursos patriarcais. Numa cena, por exemplo, uma personagem diz que o marido queria muito ter filhos, porque o relógio biológico dele estava apitando. Invertendo o discurso, que história bizola essa de relógio biológico, não? E por quê ele só funciona pras mulheres?

Tem também uma hora em que o protagonista vai transar com uma mulher e, quando ela abre a camisa e vê que ele tem pêlos, quase vomita de nojo e diz que ele parece sujo desse jeito. Daí por diante, ele passa a se depilar e deixa só um “bigodinho de Hitler” entre os peitos. As cenas fazem rir e te obrigam a refletir o tempo todo.

Resumo da ópera: foi muito bom ter visto o filme e o reality na mesma época. Me diverti e também fiquei bem mais consciente e atenta a posturas sexistas das pessoas – e minhas – no dia a dia… Pra encerrar, deixo um vídeo da sempre sensacional Jout Jout, com uma técnica pra você aplicar quando detectar aquele machismo malandrão de cada dia:

httpssss://www.youtube.com/watch?v=2cSyAKdPlZQ

Até a próxima, criançxs!

 

Post Author: Layllis

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