Conhecendo Londres: Dicas de primeira viagem

Férias! Aquele momento mágico do ano em que podemos descansar… Ou cansar um pouco mais! Mas aquela canseira boa que só uma viagem proporciona à gente. No final de Outubro deste ano consegui juntar um dinheirinho (na verdade um dinheirão considerando os atuais valores das coisas) e decidi ir me cansar na Europa que é mais chique. Na verdade, só em Londres.

Eu sou do tipo de pessoa que não gosta de ficar visitando diversos lugares numa única viagem. Gosto de parar num local e ficar o tempo que eu considero ideal para poder conhecer ele adequadamente. Como também não costumo tirar 30 dias de férias de uma vez acaba que junto o útil ao agradável e fico entre uma semana e uns 10 dias nos locais que viajo, o que eu acho um bom tempo para uma primeira visita.

Foi exatamente esse o meu período de estadia em terras britânicas: 10 dias. Deu pra conhecer os principais pontos turísticos que eu tinha interesse e aproveitar bem a cidade. Com a ajuda de amigos que estão morando por lá consegui boas dicas que otimizaram o meu tempo e facilitaram a estadia. Neste post eu passo essas dicas para vocês e de quebra falo sobre alguns dos lugares que eu mais gostei de visitar.

Planejando a viagem

Minha intenção de visitar Londres vem desde e 2017 o que me fez ficar pesquisando preços de passagem há algum tempo. Embora a maioria dos vôos tenha escala, consegui uma ótima promoção de vôo direto no site da LATAM (operado pela British Airways). O vôo de menos de 12 horas saiu por um valor menor do que os com escala que chegavam a durar mais de 30 horas (com as paradas). Ou seja, ficar acompanhando os preços em sites como KAYAK, Google Flights e Decolar, além dos sites de promoção como Melhores Destinos, pode ajudar a conseguir a melhor passagem.

Como fiquei na casa de uma amiga não precisei me preocupar com estadia. Mas adianto que se você vai precisar de hospedagem, esta talvez seja uma grande preocupação! Londres não me pareceu uma cidade tão cara no geral mas duas coisas lá costumam fugir deste padrão: transporte e local de permanência.

A moeda de Londres é a Libra, que é uma das mais caras (se não a mais cara) em relação ao Real. Pouquíssimos estabelecimentos aceitam Euro, então recomendo que você troque seu dinheiro pela moeda local. Eu acompanhei a cotação de perto para ver bons momentos de compra mas o ideal é que você vá comprando aos poucos para não tomar sustos. Com o atual cenário econômico do Brasil o valor pode mudar de repente.

Para escolher os locais que ia visitar separei coisas que eu já conhecia de fama junto com destinos de coisas que eu gosto e sei que são de lá. Resumidamente pontos turísticos e relacionadas à Alice no País das Maravilhas e Spice Girls. Uma coisa que costumo fazer e que ajuda MUUUITO é anotar todos os destinos que pretendo visitar e depois salvá-los num mapa do My Maps do Google. Você pode fazer esses mapas personalizados aqui. Uma vez salvos, eu costumo ver quais locais são perto uns dos outros e separar a visita aos locais próximos por dias, estimando quanto tempo passarei em cada destino. Para ficar melhor ainda a visualização dos mapas eu crio uma camada por dia e no dia específico eu deixo apenas ele visível.

Exemplo de uso do MyMaps

Chegando em Londres…

Uma coisa que sempre faço em minhas viagens é comprar um SIM local pré-pago. Deste modo posso usar o celular durante toda a viagem (e ver meus mapas enquanto estou circulando por lá). O SIM londrino saiu mais barato do que esperava: comprei o meu com 4GB de internet por 10 libras. Caso você opte por tentar os wifis locais, a cidade é bem provida mas você pode ficar na mão em alguns dos meus destinos favoritos de lá: os parques.

Eu desci no terminal 5 do aeroporto (que é bem grande mas todo conectado com os trens gratuitos). Saí de lá para o metrô (UNDERGROUND) e por recomendação da minha amiga já comprei o cartão (OYSTER) para 7 dias. Como o transporte é caro, o mais recomendável você comprar por períodos de tempo. Assim ele fica ilimitado durante este período. Na hora de você comprar você tem que selecionar as regiões nas quais o bilhete é válido. Ao que parece os principais locais ficam nas regiões de 1 a 5. Você pode colocar os créditos para estas regiões e algum dinheiro extra caso saia delas. Lá é preciso passar o cartão para entrar na estação de metrô e também ao sair. Ah, o cartão também é válido para pegar os ônibus!

Pesquise o clima da época que você vai. Londres costuma ser uma cidade mais fria mas caso você visite no verão pode fazer bastante calor! E caso você vá no inverno bastaaaante frio. Na época que eu fui – final de Setembro, início de Outubro – as temperaturas variavam entre 6 (inicio e final do dia) e 20 graus (nas tardes dos dias mais”quentes”).

Os destaques

Como toda metrópole, Londres tem programas de todos os tipos. Seus destinos de viagem neste tipo de local dependem inteiramente do seu gosto pessoal (tirando aqueles clássicos destinos “turistão” que todo mundo vai). Dito isto, aqui eu vou destacar as coisas que mais me chamaram a atenção na cidade e gostei de conhecer.

Parques

Pode parecer curioso para algumas pessoas mas sem dúvidas os parques foram o que eu mais gostei de lá! Todos muito bonitos, organizados e bem cuidados. Uma pena que eu tenha ido logo após o período da lavanda, que tenho certeza que deixa tudo mais bonito – de Junho a Agosto é temporada de lavanda por lá e existem parques e fazendas que organizam visitas aos seus “Lavander Fields”. Se você for nessa época (apesar de eu não ter visto) eu recomendo!

De todos, o que eu mais gostei foi o Greenwich Park, onde está localizado o Meridiano de Greenwich. Ele fica distante do centro mas seguindo a dica da minha amiga eu fui pra lá de barco (saindo da estação de Westminster) – que conta com um tour narrado da região do rio – e voltei de teleférico (que não fica perto da área do parque mas vale a pena!).

   

Para ir até o meridiano em si você tem que pagar (e não tem muito para fazer na área dele, apenas tirar foto). Recomendo apenas por curiosidade e se você tiver um dinheirinho sobrando. O resto do parque com certeza compensa!

 

Outros parques que valem a visitação são o Hyde Park, o Richmond (que é um parque mais selvagem mas enorme e com muita vida selvagem – certamente você vai cruzar com cervos) e o Green Park.

  

Kew Gardens

O Kew é o Jardim Botânico de lá. Outro lugar que eu aconselho com certeza! Um dos mais antigos do mundo e incrivelmente lindo. Ele é bem grande e bom de se andar então eu reservaria uma manhã e uma tarde para conhecê-lo. Antes de chegar lá você já vai se maravilhando com o bairro em que ele fica, que apesar de um pouco longe é uma delícia e fácil de chegar de metrô.

Todas as plantas tem placas as identificando e ele conta com estufas, lagos, construções, restaurante e vistas, muitas vistas!

  

Arquitetura

Eu já esperava pelo banho de construções históricas e arquitetura maravilhosa mas vivenciar isso é realmente outra experiência. Não só pela arte em si mas por conhecer locais com tanto tempo de vida e tão bem cuidados.  Os estilos que dominam as construções famosas são o gótico e neoclássico, alguns dos meus favoritos, o que tornaram tudo mais especial.

No centro, próximo ao rio Tâmisa, também é bem visível a mistura de construções bem antigas com outras muito modernas, resumindo bem o que é a cidade e dando um impacto sem igual!

Das construções modernas se destacaram pra mim o Shard, o  Lloyd’s of London e o Gherkin. Prédios que não passam desapercebidos no passeio.

Arte e museus

Eu gosto de conhecer museus e poder ver obras históricas de perto. Lá consegui ver algumas que eu adoro de pertinho mas não sei se para o público geral teriam obras tão famosas. De qualquer forma a maior parte deles é de graça e valem a pena ao menos uma visita rápida!

Os que eu percorri foram o museu do Design (que tem uma parte fixa grátis e exposições pagas), o museu de Ciências (com uma pegada mais infantil/escolar), dei uma rápida passada no Museu de História Natural, o Victoria & Albert, a National Gallery  (esses dois mais clássicos) e o Tate Modern (com coisas muito legais de trânsito meio esquisito – também tem exposições pagas).

Para escolher qual visitar acho que você deve avaliar seu gosto pessoal (eu por exemplo prefiro arte moderna) e as exposições existentes.

  

Feiras

Se você gosta de uma feirinhas, você está feito em Londres! Não só porque lá tem várias, não só porque tem muitas coisas legais, não só porque tem produtos com um preços ótimos mas porque tem tudo isso junto em locais maravilhosos.

Eu visitei as feiras de Notting Hill (um clássico!), Camdem Town, Spitafields Market e a de Brick Lane.

Notting Hill além das lojas e barracas tem todo um ar diferente, mais diurno e alegre pelas casas ao redor e aspecto das lojas e vendedores. Camdem Town é um grande centrão com todos os tipos de loja e produtos. Uma que eu amei foi a Cyberdog, com estilo rave/futirista lá dá pra encontrar roupas e acessórios pra festas, maquiagem, brinquedos e até produtos eróticos. Spitafields e Brick Lane tem uma vibe mais hipsters com brechós, barzinhos e produtos mais ~cool~.

Eu adorei todas mas se fosse você não deixaria de visitar Notting Hill e Camdem Town.

   

Oxford

Como citei lá em cima, uma das coisas das quais sou fã e veio do Reino Unido é Alice do País das Maravilhas. Logo, estando tão perto eu não podia perder a oportunidade de conhecer o lugar onde nasceu a minha história favorita. Reservei então um dia para visitar Oxford, cidade próxima a Londres que abriga a mais antiga universidade de língua inglesa.

É uma cidade pequena mas bem marcante. Muito prédios antigos (e históricos) fazem da visita uma experiência incrível. O ar universitário, com os colégios espalhados pelas ruas deixam tudo ainda mais interessante. E claro, se você também é fã do País das Maravilhas vai curtir ainda mais ver os cantos por onde a verdadeira Alice cresceu (apesar de eu esperar encontrar mais souvenires da aventureira nas lojinhas).

Para chegar lá fiz uma pequena viagem de trem e logo na chegada comprei um passe de ônibus de turismo. Como o passeio no ônibus é rápido, se você tiver tempo vale a pena dar a volta inteira na cidade escutando a história e as curiosidades do sistema de som e depois escolher onde exatamente quer descer.

Na volta ainda é possível descer num Outlet bacaninha (o Bicester Village) e depois voltar para o trem a caminho de Londres sem custo extra.

  

Os clássicos

De volta a cidade, claro que quem visita pela primeira vez não pode deixar de conhecer os pontos turísticos clássicos de Londres! London Eye, Saint Paul’s Cathedral, o palácio de Buckingham, o Big Ben, o Parlamento e todas as maravilhosas pontes do centro da cidade. Todos são lindos mas vale alguns avisos:


  

  • O Big Ben e o Parlamento estão em obras! Sim, infelizmente suas fotos e visita não serão tão incríveis. Pra piorar aparentemente elas só acabam em 2021.
  • A enorme Roda Gigante é linda mas subir nela custa caro. Então se você não for fã de rodas gigantes e não tiver algum tipo de city pass (que auxiliam muito nessas horas) só a passagem por baixo dela pode ser suficiente.
  • Sua visita ao palácio de Buckingham pode ficar mais interessante se você verificar os horários da troca da guarda oficial em changing-guard.com e coincidir a visita com o evento.

Compras

Acredito que a Europa não seja o melhor destino para compras mas claro que numa viagem sempre temos interesse em ver coisas diferentes e se sobrar um dinheiro, porque não levar lembrancinhas, não é mesmo?

O comércio lá é majoritariamente de rua, com lojas espalhadas por pontos como a Oxford e Regent Steet. Os destaque, é claro, ficam para as enormes lojas de departamento que são uma atração a parte:  Selfridges, Primark, Marks & Spencer, John Lewis e Harrods. Nem que você esteja duro, andar pelos corredores delas por si só já é um programa! E se você curte brinquedos e ambientes lúdicos, assim com eu, dê também uma passada na Hamleys. Ela é uma enorme loja de brinquedo com atendentes simpáticos e todo tipo de diversão.

Se você quiser algo mais “familiar”, no entanto, também existem shopping centres por lá. Dois grandes Westfields são acessíveis por metrô: um na Ariel Way e outro no Olympic Park. Com as mesmas estruturas dos shoppings brasileiros esses centros abrigam diversas lojas, incluindo algumas das de departamento citadas acima.

Para economizar ainda rola de visitar outlets. Os que eu visitei foram o Bicester Village, no caminho da volta de Oxford e o London Designer Outlet. Ambos, porém, mais distantes do centro. Compensa visitá-los se estiverem no seu caminho ou se você tiver tempo sobrando.

A saída

Depois de muita andança, diversão e programação cultural, com tristeza chega a hora da partida. Ao menos sair de Londres foi tão tranquilo quanto chegar. Segui de metrô para o aeroporto, não tive problemas com os despachos automatizados ou os procedimentos de segurança na saída. Tendo todos os documentos necessários em mãos e seguindo as normas estabelecidas pelas companhias aéreas, cidade e aeroporto você não deve ter grandes problemas.

O que trouxe de viagem foi uma ótima experiência, que superou de longe as minhas expectativas. A mistura do antigo com o novo, a maturidade local e a sensação de segurança que a cidade me transmitiu fizeram eu querer voltar para lá assim que possível.

Sempre me vi com um espírito de metrópole mais americanizada mas tenho que confessar que visitar o velho continente me fez duvidar um pouco disso.

 

Post Author: Marcio Oliveira

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