X-men: os heróis de hoje e sempre

Hoje os X-men, equipe de super-heróis criada por Stan Lee e Jack Kirby, comemoram 57 anos. Eu, como fã, ilustrador e nerd, achei que seria uma ótima oportunidade para falar um pouco sobre o  que considero ser o melhor grupo dos quadrinhos (e talvez dos desenhos e filmes também) e sua importância não só para os dias atuais como para a sociedade como um todo.

Publicada em 1963 pela Marvel Comics, “Uncanny X-men” trazia os cinco X-men originais (Fera, Jean, Ciclope, Homem de gelo e Anjo) combatendo seu maior inimigo, Magneto, sob tutela do Professor Xavier, criador e patrono da equipe. Ninguém imaginaria o tanto de coisa que ia rolar nas páginas desses quadrinhos (e muito menos fora deles).

Seu potencial e mensagem logo fizeram com que a equipe deixasse de ser só mais uma “cópia” de segmento para se tornarem um marco da cultura pop atual.

Os mutantes

Nas páginas da história, mutantes são seres humanos nascidos com um gene especial que durante a adolescência  (na maioria das vezes) “aflora” garantindo ao seu portador “dons especiais”.

Diferente de muitas histórias de ficção e gibis de heróis, neste mundo, no entanto, esses super seres não são vistos como salvadores ou heróis. Muitos os temem e odeiam, causando assim um grande conflito entre humanos “normais” e os com o gene x. Possivelmente essa é a melhor sacada de X-men, que ao tornar seus personagens principais mais relatáveis e humanos, consegue sair de um mundo de fantasia e tornar a história apenas uma “ficção científica”. Afinal, mutações são reais e pelo que já vimos até hoje é bem mais provável que a reação geral ao diferente fosse essa mesma.

Então, no desenrolar da história os mutantes se dividem entre os que querem uma vida em paz com humanos ou os que compram essa briga e apostam na vingança como melhor opção de sobrevivência. Os X-men, pertencentes ao primeiro grupo, seguem seu líder, Charles Xavier, no sonho pela convivência pacífica.

É importante ressaltar que apesar de termos um mente um tipo de ser quando falamos sobre x-men, mutantes não seriam só aqueles com poderes bacanas e bela aparência. A história explora em diversos momentos diferentes tipos de mutação e como isso afeta seus portadores. Existem desde mutações mínimas que não interferem muito na vida da pessoa até as mais radicais que alteram sua aparência drasticamente ou mesmo tornam sua sobrevivência mais difícil.

Minorias e representatividade

Por tudo isso aí de cima já deu para perceber bem que as histórias dos X-men vão um pouco mais a fundo do que o bem contra o mal de sempre, né?

Em maior e menor grau os filhos do átomo representam minorias. Começaram como uma metáfora para adolescência, quando você se descobre diferente ao entrar na puberdade, se acha um estranho no mundo e tem que encontrar seu lugar mas aos poucos se mostraram muito mais representativos do que isso.

Eles são todo e cada grupo que não é bem visto ou querido pela sociedade e todo dia trava uma batalha por sua aceitação e sobrevivência. Desde os que a primeira vista estão dentro dos padrões mas ao vermos mais de perto não são bem assim até o que não tem como esconder suas diferenças e viram alvos fáceis de ódio gratuito e exclusão. Os mutantes servem para nos mostrar que necessitamos evoluir e que não existem maiores heróis do que nós mesmos que lutamos todo dia por um lugar ao sol.

 

Isso está na base das histórias deles. Por isso mesmo, diferente do que alguns nerds com deficiência de compreensão podem achar, não tem como desvencilhar X-men de política. De representatividade. De inclusão. De diversidade. Isso é o que eles são e TUDO sobre o que essa história trata.

Gostaria ainda de destacar um outro aspecto muito importante e que foi fundamental para que a equipe virasse a minha #1 na lista de heróis: a presença de mulheres fortes.

Hoje já temos diversas heroínas em diversos grupos por aí. Não vamos fingir, no entanto, que elas são todas bem representadas ou de destaque. Até mesmo nas febres dos filmes do gênero de adaptação de quadrinhos elas só vieram ganhar importância recentemente. Nos quadrinhos, então, foram objetificadas e sexualizadas por anos.

E, apesar de nem as X-woman terem escapados desse fardo das mulheres, mesmo assim elas sempre foram fortes e marcantes. Arrisco até a dizer que o grupo talvez seja o que mais tem integrantes femininas entre seus membros apesar de seu início com apenas uma para cobrir cota. É impossível pensar em X-men sem Fênix, Tempestade, Vampira, Lince Negra…

Outras questões avançam dentro da equipe como a revelação de que um de seus integrantes originais é gay e a diversidade culturar e étnica de seus membros. Mas mesmo com toda a mentalidade e dinâmica, os X-men ainda fazem parte de um universo dominado por mentes preconceituosas e por isso vem quebrando essas barreiras lentamente. Mas não tenho dúvida que logo estarão mais diversos do que nunca.

Cultura pop

Com a cultura em constante ebulição e mudança, heróis que representavam valores antiquados ou que pararam no tempo foram abrindo espaço para outros que acompanharam a evolução da sociedade. E quem melhor do que o próximo passo na evolução humana para representar isso?

A popularidade do grupo foi crescendo e eles foram ficando cada vez mais destacados de outros grupos de heróis contra os quais haviam inclusive sido criados para competir. A realidade de X-men acabou se tornando única e gerou até um mini universo dentro da própria editora Marvel.

Das páginas dos gibis para os videgames sabemos que a distância não é tão grande, afinal, o público alvo acaba tendo muito em comum. Assim, não demorou para as adaptações para os games começarem e em 1989 a família X já estava embarcando em outra mídia. Desde então os heróis nunca mais saíram dos consoles e já estiveram em todo tipo de formato, fazendo inclusive crossovers de sucesso com personagens como os de Street Fighter.

O próximo passo lógico, é claro, seriam os desenhos animados, com algumas versões que marcaram gerações como a “Animated Version” nos anos 90 e “Evolution” nos anos 00. A primeira tendo alavancado a popularidade dos mutunas a tal nível que os faria criar um gênero completamente novo no cinema com o lançamento de “X-men: O filme” nos anos 2000.

Cinema

Apesar da evolução do gênero de super-heróis no cinema levar muitos a olhar com maus olhos os primeiros filmes de X-men (até com razão, afinal, os orçamentos eram pífios e os estúdios tinham um pé atrás por causa de diversos erros do passado), foi “X-men: O filme” que quebrou a barreira que havia sido instaurada com o fracasso dos últimos filmes do Batman nos anos 90.

Embalado pelo sucesso moderado de Blade, X-men já era um nome bem grande para a cultura pop mundial e por isso sua adaptação cinematográfica contou com grandes nomes e levou muita gente ao cinema. O sucesso foi tanto que influenciou diretamente os quadrinhos, estabelecendo mudança nos uniformes e tons das histórias. Engatou de tal maneira que 20 anos depois estamos aqui aguardando as novidades do Universo Cinematográfico Marvel.

Os últimos filmes da franquia, no entanto, não tiveram uma recepção tão boa. Se o sucesso do primeiro permitiu a Marvel ter seu próprio estúdio e controle total sobre suas adaptações, o preço que os mutantes pagaram foi caro: contrato com outro estúdio (a Fox) que duraria até hoje, quando a Disney (dona da Marvel) comprou a empresa. Agora, com a fórmula do sucesso nas mãos (que vem a ser nada mais nada menos do que uma boa adaptação do que já foi feito nos quadrinhos), os mutantes prometem voltar com tudo as telas de cinema.

Os próximos passos

Os estúdios Marvel, que fazem tudo muito bem calculado e pensado, ainda não anunciaram a entrada oficial dos mutantes nas telonas, mas sabemos que eles já devem ser introduzidos e preparados para seu grande debut na próxima fase de filmes da gigante.

Enquanto isso, nos quadrinhos, a equipe vive uma ótima fase depois de muito tempo sem uma saga de grande sucesso, Jonathan Hickman, atual responsável pelos mutantes, conseguiu engatar uma história nova e envolvente que tem dado o que falar – e desconfio, ainda pode vir a influenciar os filmes da franquia.

Agora é torcer pelo futuro dos nossos mutantes queridos mas tendo certeza que eles sempre vão nos dar material interessante para debate e apreciação. Afinal, sabemos que mutação é a chave para se adaptar, certo? 😉

Seja um mutante você também!

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Post Author: Marcio Oliveira

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